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16 de setembro de 2010

Notas sobre Florac

150
150 conjuntos franceses gostariam de fazer a prova de Florac (categoria única, 160kms na morraria), que com os 80 estrangeiros somariam 230 participantes. Como não havia estrutura para tanto, 50 franceses tiveram suas inscrições rejeitadas.
Como eles conseguem 150 cavalos para fazer a prova mais difícil do ano eu não sei, mas é muito impressionante.

Estatística inútil
O ponto mais difícil da prova é o topo do monte Aigoual. Enquanto esperávamos a passagem dos cavalos lá em cima, diversos franceses falavam a mesma coisa: nunca ganhou a prova o cavalo que passou em 1º lugar ali.
Isso não quer dizer muita coisa, afinal numa prova com 180 conjuntos, provavelmente aquele que ganhará (não importa quem seja) só estará a frente dos outros 179 em uma parte muito curta da trilha. Esse ano, o cavalo que passou em 1º era de um italiano (que provavelmente não sabia, ou não acreditava na estatística) e terminou em 4º lugar.

Rir pra não chorar
Este cavaleiro que ficou em 4º lugar chegou junto com outros 3 alguns minutos atrás da campeã da prova, mas decidiu deixá-los disputar e chegar ao passo (Pierre Fleury, aquele que morou no Brasil 6 meses, terminou sendo eliminado, por isso o italiano passou de 5º para 4º). No entanto, ao aproximar-se da linha e ver uma multidão ao redor, o cavalo se recusou a andar pra frente. Nos primeiros metros o cavaleiro desceu, puxou o cavalo e remontou, mas mesmo assim ele não ia. Tendo que cruzar a linha montado, o cavaleiro ficou sem ter o que fazer, até que um juiz foi até lá e puxou o cavalo dois passos, para que o conjunto completasse a prova.
O 5º e 6º colocados reclamaram, dizendo que podiam ter alcançado o italiano e outros membros do júri não gostaram da atitude do juiz que o ajudou. No entanto, acredito que ele agiu corretamente, vendo que o cavalo não estava exausto e sim amedrontado, simplesmente ajudou a acabar com uma situação que ficava cada vez mais ridícula.

Montanhas preservam cavalos?
Pode ser contra-intuitivo, mas me parece que provas montanhosas evitam desastres metabólicos. Não vi nenhum cavalo chegar exausto, como foi comum em Compiégne, prova plana e de galope o tempo todo. Talvez, ao encarar um morro o cavalo só prossiga numa velocidade alta se estiver bem, enquanto no plano o cavaleiro consiga fazê-lo galopar mesmo que este já se encontre cansado. Não sei, é só uma teoria.

Abaixo-Assinado!
No dia anterior à prova, rodava um abaixo-assinado contra a atuação de Ian Williams em Compiègne. De fato, na última prova, este representante da FEI - que já não é visto como simpático pelos cavaleiros - passou dos limites.

See you in Kentucky!
Grande parte da equipe da França estava montando, inclusive Jean Philippe Frances e Virginie Atger. Sarah Chakil, ganhadora da prova, também faz parte do time que representará a França no Kentucky. Outra que estava presente foi a americana Valerie Kanavy, campeã do mundo em 1994 e 1998, que provavelmente montará pelos EUA em Lexington.

7 de julho de 2008

Estatísticas do primeiro semestre

Assim como foi feito no começo do ano em relação a 2007, atualizo aqui as estatísticas das 5 provas de longa distância realizadas no primeiro semestre deste ano.

Número de inscrições:

Este primeiro semestre foi impressionantemente pobre em inscrições. Ao todo, foram 85, distribuídas em 13 provas e 5 eventos (lembrando: cada categoria conta como uma prova, e todas juntas como um evento). Ou seja, em média cada prova (leia-se categoria) contou com apenas 6,5 inscritos. É a pior média desde que se acompanha este número (até então 2005 com 9,5 era o pior ano e 2002 com 16,3 o melhor). Como este foi o período com mais provas por evento, graças às 3 provas de 160kms, a média de inscrições por evento não é tão ruim: 17,0 – o que ainda é o pior período, atrás de 2000 com 19,6. O melhor foi 2002 com 36,8.

Se considerarmos que o Campeonato Brasileiro e a Haras Endurance, que normalmente são as provas com mais inscritos no ano, já aconteceram, as perspectivas não são boas. No entanto, acredito que o Jequitibá Open e o Campeonato Paulista contarão com inscrições suficientes para aumentar esta média.

Velocidade:

Em relação à velocidade o semestre apresenta duas perspectivas diferentes. Nos 120kms o semestre foi fraco: a prova mais rápida foi ganha a 17,34kms/h, velocidade que não foi alcançada apenas em 2002, 2001 e 2000. A média de velocidade nesta distância foi de apenas 14,72kms/h, índice superior apenas ao de 2000. Já nas provas de 160kms, a mais rápida foi ganha a 16,84kms/h, perdendo apenas para 2006, que contou com a atípica prova de Campinas. Na média de velocidade, fez-se 15,92kms/h, o que condiz com as velocidades de 2007 e 2006.

Preço de inscrições:

Neste quesito houve uma sensível diminuição de preço médio neste semestre. A média caiu de R$ 591,58 (2007) para R$ 541,15 (1º semestre 2008), aproximadamente 9% menos em termos nominais, que seria majorado caso corrigíssemos o preço do ano passado pela inflação.

Pedigree:

Neste semestre, graças ao baixo número de inscrições, diminuí o número mínimo de inscrições para que uma prova valesse pontos, de 10 para 5. Assim, o ranking de garanhões, que pontua as 5 gerações de cada cavalo, ficou deste modo (contando apenas as 5 provas deste ano):

1º - Bask

2º - Aladdinn

3º - Witraz

4º - Morafic

5º - Persik

O ranking de pais (no qual pontuam apenas os pais dos cavalos) ficou da seguinte maneira:

1º - Persik

2º - Aicyng Ahra

3º - Pepi

4º - Expoente

5º - Ninjah El Jamaal

É interessante destacar a presença de Persik nos dois rankings, por se tratar de um cavalo estrangeiro com pouquíssimos filhos no Brasil. Não que seja surpresa, dada sua importância e reconhecida qualidade no esporte.

24 de junho de 2008

Só uma idéia

29/03/08 – Rancho Canabrava – 120kms:
Adulto – 5 conjuntos
Young Riders – 2 conjuntos

05/04/08 – Paraopeba – 120kms:
Adulto – 3 conjuntos
Young Riders – 2 conjuntos

19/04/08 – Haras Endurance – 120kms:
Adulto – 7 conjuntos
Young Riders – 7 conjuntos

07/06/08 – Campeonato Brasileiro – 120kms:
Adulto – 9 conjuntos
Young Riders – 10 conjuntos

Eu não sei qual o motivo deste baixo número de inscrições este ano, talvez no Brasileiro e no Haras Endurance tenha um pouco a ver com a prova de 160kms que ocorreu junto com a de 120kms. Mas, de qualquer maneira, não seria melhor ter tido provas com categoria única, com 7, 5, 14 e 19 concorrentes, respectivamente?

Acredito que todos os conjuntos se beneficiariam de correr contra mais concorrentes, tanto como forma de aprendizado quanto como participação em uma prova mais importante e competitiva. Afinal, isto é a essência de um esporte.

Numa prova de categoria única – e, portanto, com mais concorrentes – a vitória e cada posição valorizam-se, dando um outro status à prova e aos seus competidores. Além disso, ganha-se experiência fundamental para correr mundiais e outras provas internacionais nas quais largam mais de 100 competidores juntos.

Se nossas provas contassem com apenas uma categoria, nosso esporte ganharia muito. O maior exemplo disso era o Jequitibá Open quando não tinha uma prova de Young Riders um dia antes da prova de categoria única: na época era a mais competitiva e uma das mais esperadas do calendário. Suas chegadas, inclusive, ilustraram o quanto o esporte ganhava com este tipo de prova: num ano chegaram disputando Thayza Malouf e Mariana Cesarino; no outro Leco Razuck e Patricia Taliberti; e no último Lilian Garrubo e Ana Carla Maciel – todas disputas entre um adulto e um Young Rider que numa prova “normal” chegariam tranquilamente ao passo.