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14 de março de 2011

5 meses depois


Originou-se do último texto uma discussão sobre a atenção dada pela CBH ao enduro, sendo que grande parte das opiniões considerava que nossa confederação virava as costas ao esporte. Desde então, no entanto, três eventos evidenciam o contrário e é nosso dever comentar e reconhecer o investimento e confiança em nós depositados.

O primeiro deles foi o apoio financeiro, grande parte através de lei do incentivo ao esporte, dado à equipe brasileira no WEG que teve os custos da viagem dos cavalos pagos e até uma pequena premiação financeira para os cavaleiros. Em seguida anunciou-se a criação do Campeonato Brasileiro de Equipes e da Copa dos Estados, ambos com premiação em dinheiro e objetivando incrementar o Campeonato Brasileiro e promover as provas do segundo semestre, respectivamente.

O terceiro, mais notável e mais importante ponto foi a contratação do ex-técnico francês Jean Louis Leclerc, que além de tornar a seleção algo 100% esportivo (conquista que só é possível para alguém de fora, que não tem nenhum tipo de envolvimento com nenhum cavaleiro), trará grande know-how para nós, beneficiando a todos e não somente àqueles que forem selecionados. Imagino que qualquer equipe nacional gostaria de contar com Leclerc como selecionador (oficialmente a Alemanha o havia convidado), o que dá uma idéia do tamanho e da dificuldade do feito da CBH.

Como tudo na vida, podemos esperar e cobrar melhoras, torcendo para que este apoio cresça ano a ano e abranja outras áreas como fomento, estruturação do esporte, organização de provas, etc, mas hoje não podemos mais falar que a CBH não se importa com o enduro.

30 de agosto de 2010

Crescente ou estável?

Philippe Tomas ganhou a prova com uma estratégia "invertida"
Um dos assuntos mais discutidos neste blog é a estratégia de prova. Depois do campeonato mundial de young riders de Campo de Mayo escrevi um texto especulando possíveis causas de se encontrar uma estratégia dominante em cada país; em outro texto, depois do campeonato mundial da Malásia, apontei para o fato da nova campeã do mundo não ter corrido de forma crescente e me questionei se esta estratégia ainda era a mais adequada para a maioria das trilhas do esporte, cada vez mais planas.

Agora, em dois finais de semana vi mais indícios de que, pelo menos nas provas de 120kms, a famosa “estratégia crescente” pode estar com os dias contados. No primeiro, em Compiègne, pude acompanhar duas provas de 130kms. Na sexta-feira, os dois primeiros conjuntos correram de forma crescente e, apesar de se saírem vitoriosos, deram vexame e criaram uma situação constrangedora para todos: o cavalo 2º colocado chegou tão cansado que era incapaz de trotar, fazendo o último kilometro todo ao passo e demorando 29 minutos para entrar no vet-check final, já o vencedor por muito pouco não caiu de fadiga assim que cruzou a linha. No domingo, os três árabes que fizeram a prova de maneira crescente foram eliminados, sendo dois por metabólico. Philippe Tomas, com uma estratégia “estável”, ganhou a prova e deu show na chegada.


No segundo final de semana, mais duas provas de 120kms. Em Avaré, Toninho e Ana Ilkiu fizeram provas muito parecidas e sagraram-se campeões brasileiros, Adulto e Young Rider. Provavelmente numa competição com mais conjuntos eles teriam sido obrigados a andar mais no último anel, mas talvez, assim como para Philippe Tomas, manter o ritmo bastasse. Outra infeliz curiosidade é a de que Rafaela Barreto também cruzou a linha em 1º lugar com uma estratégia crescente e foi eliminada.


Com certeza 4 provas não são nem de perto suficientes para estabelecer o fim do domínio de uma estratégia, ainda mais se considerarmos que em 3 delas os cavalos que chegaram primeiro correram desta maneira. No entanto, nos faz questionar a certeza anterior de que esta estratégia era sempre a melhor e, principalmente, a mais segura. Pode ser só coincidência, pode ser reflexo de trilhas mais planas ou pode ser a constatação dos cavaleiros de que o único meio de aumentar a velocidade é fazer os primeiros anéis mais rápidos do que se fazia. Enquanto não temos nenhuma certeza, qualquer tentativa é válida, inclusive correr de modo crescente.

9 de junho de 2008

Uma exceção

Quando iniciei este blog minha proposta era não ficar dando parabéns e afins. Não porque as pessoas não mereçam, mas porque disto o ForumEnduro já está cheio e porque o blog seria um espaço para opinião.

No entanto, abro aqui uma exceção. Queria parabenizar todo o pessoal do Rio Grande do Sul que viajou mais de 2000 kilometros com um cavalo diferente de todos os outros presentes, correram para ganhar, protagonizaram o Campeonato Brasileiro de 120kms e foram vice-campeões brasileiros. Parabéns! É sempre muito legal ver pessoas de regiões diferentes e com cavalos diferentes começando no esporte e fazendo as coisas de maneira certa.

Parabéns também a todos os demais enduristas, que, apesar de uma compreensível descrença inicial, claramente torceram para o cavalo crioulo, saudaram o conjunto após a prova e se alegraram com o resultado. O enduro equestre brasileiro ganhou muito com a atitude de todos.

28 de abril de 2008

Mais que uma prova

Com 6 anos fiz minha primeira prova de enduro e logo depois comecei a montar na hípica. Aos 15 tive que escolher entre salto e enduro, já que era impossível levar ambos a sério. Uma das razões que me fez abrir mão do salto foi o fato de que no enduro eu teria muito mais chances de participar de um mundial do que no salto.

É mais ou menos esse o pensamento da maioria dos enduristas: tudo pelo mundial. Todos se lembram de como cada diretor da CBH definiu a seletiva para os mundiais, embora poucos saibam dizer o que mais cada um que passou pelo cargo fez. Todo mundo sabe quem são os cavalos aptos a participarem do mundial da Malásia, mas é difícil elencar os favoritos a ganhar o Campeonato Brasileiro. O mais comum nas entrevistas com enduristas é escutar que o seu sonho é participar, ser medalhista ou ganhar um mundial, sendo que quase nunca se ouve que é ser campeão brasileiro.

Não estou dizendo que devemos virar as costas para o mundial ou algo assim, muito pelo contrário. Não sou hipócrita e me encaixo em tudo isso que citei: meu sonho é ser campeão mundial e é provável que por isso eu não tenha cavalo para disputar o título brasileiro este ano. No entanto, acredito que o esporte no Brasil é maior do que o Campeonato Mundial. Temos ótimos cavalos – e criações muito competentes – cavaleiros empenhados e provas bem organizadas e competitivas. Enfim, somos grandes! Apesar disso, ninguém parece se contentar em ser campeão brasileiro ou ganhar provas aqui, como se o que se passasse dentro do país não contasse ou não fossem “bom o suficiente”.

Acredito que ambições internacionais são muito boas: nos fazem procurar evoluir e nos motivam a nos empenhar cada vez mais, porém não podemos desprezar aquilo que temos e, muito menos, organizar todo o esporte pensando no Mundial. Este é uma prova que acontece a cada dois anos num local e em condições escolhidas pela FEI, onde o Brasil não tem qualquer influência (até hoje pelo menos). Só podemos participar com 6 conjuntos – sem direito a cavalos reserva – e temos que viajar para correr.

Ou seja, o que vem acontecendo não tem muito sentido: organizamos todo o calendário pensando no Mundial; escolhemos, então, 6 conjuntos que viajam até o lugar da prova; aí, normalmente, já perdemos um cavalo que sentiu a viagem e não correrá em 100% de condições; se corrermos para ganhar, 2 ou 3 terminarão a prova; caso 3 completem, há uma chance de ganhar uma medalha por equipe (se estes tiverem entre os 4 escolhidos para a equipe e atingirem colocações suficientes para estar entre as 3 primeiras equipes); fora isso temos que torcer para algum cavalo estar muitíssimo bem no dia e ter uma dose de sorte, para disputar uma medalha individualmente. No final das contas, todo o esporte, durante 2 anos, se voltou para uma chance mínima de medalha no Campeonato Mundial.

Claro que todo o processo de seleção e escolha da equipe faz parte do esporte e o ajuda a crescer, mas me parece que seria muito mais benéfico ouvir de todos “Tentarei ser campeão brasileiro” do que “Só vou completar o Brasileiro para me qualificar para o Mundial”. O enduro brasileiro é mais do que uma prova.