14 de março de 2011

5 meses depois


Originou-se do último texto uma discussão sobre a atenção dada pela CBH ao enduro, sendo que grande parte das opiniões considerava que nossa confederação virava as costas ao esporte. Desde então, no entanto, três eventos evidenciam o contrário e é nosso dever comentar e reconhecer o investimento e confiança em nós depositados.

O primeiro deles foi o apoio financeiro, grande parte através de lei do incentivo ao esporte, dado à equipe brasileira no WEG que teve os custos da viagem dos cavalos pagos e até uma pequena premiação financeira para os cavaleiros. Em seguida anunciou-se a criação do Campeonato Brasileiro de Equipes e da Copa dos Estados, ambos com premiação em dinheiro e objetivando incrementar o Campeonato Brasileiro e promover as provas do segundo semestre, respectivamente.

O terceiro, mais notável e mais importante ponto foi a contratação do ex-técnico francês Jean Louis Leclerc, que além de tornar a seleção algo 100% esportivo (conquista que só é possível para alguém de fora, que não tem nenhum tipo de envolvimento com nenhum cavaleiro), trará grande know-how para nós, beneficiando a todos e não somente àqueles que forem selecionados. Imagino que qualquer equipe nacional gostaria de contar com Leclerc como selecionador (oficialmente a Alemanha o havia convidado), o que dá uma idéia do tamanho e da dificuldade do feito da CBH.

Como tudo na vida, podemos esperar e cobrar melhoras, torcendo para que este apoio cresça ano a ano e abranja outras áreas como fomento, estruturação do esporte, organização de provas, etc, mas hoje não podemos mais falar que a CBH não se importa com o enduro.

14 de outubro de 2010

Guantánamo

As condições na quarentena de Miami eram tão ruins que o local logo ganhou o apelido de Guantánamo


Toda a beleza do esporte repousa no fato de que não importa classe social, cor de pele, religião, nacionalidade, preferência política ou qualquer outro fator, todos competem em condições iguais, ou no mais próximo possível disso. Infelizmente, este princípio de ouro não foi observado no World Equestrian Games, evento idealizado, planejado e organizado durante 4 anos para ser o ápice esportivo do mundo eqüestre do período, ou, “as Olimpíadas a Cavalo”.
Assim que saíram do avião, os cavalos da América do Sul e da América Central foram obrigados a passar por uma quarentena de 7 dias na qual ficaram trancados dentro de uma baia sem iluminação e pouco ventilada, às quais os grooms tinham acesso por uma hora por dia. Após esta, seguiu-se uma viagem de 20 horas de Miami a Lexington (aproximadamente 1.600 kilometros) num caminhão lacrado. Para cavalos que estão preparados para correr 160kms e que estão acostumados a viver soltos e a caminhar pelo menos 2 horas por dia, este processo, além de altamente estressante e de potencialmente prejudicial à performance, viola o princípio de Welfare of the Horse, postulado pela FEI.
Compreendo que os EUA tenham suas regras sanitárias, no entanto qualquer país que se declare preparado e interessado em organizar um evento desta importância tem a obrigação de garantir exceções e condições ideais a todos. Já a FEI, ao dar sua chancela, deveria assumir uma postura ativa, exigindo e fiscalizando para que sua principal realização quadri-anual não fosse manchada desta maneira.

O que é que a América tem?
A quarentena pela qual passaram os cavalos sul e centro americanos é absurda, para qualquer cavalo e em qualquer condição, devendo ser combatida caso imposta a um ou a todos os cavalos. No entanto, a falta de vontade norte-americana fica ainda mais evidente quando observamos a quarentena para cavalos vindos da Europa: menos de 2 dias (entre 36 e 42 horas) em cocheiras provisórias, de plástico, totalmente ventiladas, iluminadas e com acesso 24 horas por dia aos grooms, em Cincinatti, há 120 kms do parque.


América do Sul e Central
Europa
Diferença
Tempo
168 horas (7 dias)
40 horas
420%
Condições
Escura e pouco ventilada
Iluminada e ventilada

Acesso aos cavalos
1 hora por dia – pago
24 horas por dia – grátis
2400%
Distância para Lexington
1.600 kms
120 kms
1300%
Cuidados possíveis com os cavalos
Caminhar 1 hora por dia
Caminhar o quanto achasse conveniente, fazer soro, gelo, etc.




Não é muleta
Não acho que este processo atrapalhe a performance necessariamente. Muitos cavalos (incluindo o meu) se recuperaram bem e correram “novos”. No entanto, as condições eram tão precárias que por princípio não se deve submeter um cavalo a elas. Além disso, aumenta-se o risco de problemas, como no nosso caso, que tivemos um cavalo retido por rigor excessivo e inadequado e um caso de miosite.

Ingenuidade
Se quisermos ser respeitados, precisamos nos fazer respeitar. Não há nenhum fator que justifique tamanha disparidade e, portanto, não podemos aceitar tal postura de um comitê organizador daqui para frente. Se os europeus conseguiram algo razoável, precisamos lutar pelo mesmo.

19 de setembro de 2010

Mais duas notas sobre Florac



Prova itinerante
Os 160kms de Florac são corridos em 6 anéis, sendo que cada um deles começa em um lugar e termina em outro. Assim, cada um dos 6 vet-checks se realiza em um local diferente. Todos  apresentam condições muito boas, muito perto das ideais: as linhas de trote eram boas, havia espaço para o apoio nos 6 vet-checks, nunca faltou água, podíamos comprar comida e bebida em todos, etc (apenas os veterinários devem ter se queixado de que não havia cobertura para eles em todos os anéis). Há momentos na prova nos quais 3 vet-checks estão funcionando ao mesmo tempo.

Contra o relógio
Para que isso seja possível, adota-se uma regra pouco comum: todos os vet-checks tem horário de fechamento (momento no qual a média cairia para baixo de 12kms/h). É algo diferente e que não estamos acostumados, que vai contra um pouco ao “terminar é vencer”, mas uma prova no nível de Florac pode se dar ao luxo de estabelecer um nível mínimo para que se termine a prova.

16 de setembro de 2010

Notas sobre Florac

150
150 conjuntos franceses gostariam de fazer a prova de Florac (categoria única, 160kms na morraria), que com os 80 estrangeiros somariam 230 participantes. Como não havia estrutura para tanto, 50 franceses tiveram suas inscrições rejeitadas.
Como eles conseguem 150 cavalos para fazer a prova mais difícil do ano eu não sei, mas é muito impressionante.

Estatística inútil
O ponto mais difícil da prova é o topo do monte Aigoual. Enquanto esperávamos a passagem dos cavalos lá em cima, diversos franceses falavam a mesma coisa: nunca ganhou a prova o cavalo que passou em 1º lugar ali.
Isso não quer dizer muita coisa, afinal numa prova com 180 conjuntos, provavelmente aquele que ganhará (não importa quem seja) só estará a frente dos outros 179 em uma parte muito curta da trilha. Esse ano, o cavalo que passou em 1º era de um italiano (que provavelmente não sabia, ou não acreditava na estatística) e terminou em 4º lugar.

Rir pra não chorar
Este cavaleiro que ficou em 4º lugar chegou junto com outros 3 alguns minutos atrás da campeã da prova, mas decidiu deixá-los disputar e chegar ao passo (Pierre Fleury, aquele que morou no Brasil 6 meses, terminou sendo eliminado, por isso o italiano passou de 5º para 4º). No entanto, ao aproximar-se da linha e ver uma multidão ao redor, o cavalo se recusou a andar pra frente. Nos primeiros metros o cavaleiro desceu, puxou o cavalo e remontou, mas mesmo assim ele não ia. Tendo que cruzar a linha montado, o cavaleiro ficou sem ter o que fazer, até que um juiz foi até lá e puxou o cavalo dois passos, para que o conjunto completasse a prova.
O 5º e 6º colocados reclamaram, dizendo que podiam ter alcançado o italiano e outros membros do júri não gostaram da atitude do juiz que o ajudou. No entanto, acredito que ele agiu corretamente, vendo que o cavalo não estava exausto e sim amedrontado, simplesmente ajudou a acabar com uma situação que ficava cada vez mais ridícula.

Montanhas preservam cavalos?
Pode ser contra-intuitivo, mas me parece que provas montanhosas evitam desastres metabólicos. Não vi nenhum cavalo chegar exausto, como foi comum em Compiégne, prova plana e de galope o tempo todo. Talvez, ao encarar um morro o cavalo só prossiga numa velocidade alta se estiver bem, enquanto no plano o cavaleiro consiga fazê-lo galopar mesmo que este já se encontre cansado. Não sei, é só uma teoria.

Abaixo-Assinado!
No dia anterior à prova, rodava um abaixo-assinado contra a atuação de Ian Williams em Compiègne. De fato, na última prova, este representante da FEI - que já não é visto como simpático pelos cavaleiros - passou dos limites.

See you in Kentucky!
Grande parte da equipe da França estava montando, inclusive Jean Philippe Frances e Virginie Atger. Sarah Chakil, ganhadora da prova, também faz parte do time que representará a França no Kentucky. Outra que estava presente foi a americana Valerie Kanavy, campeã do mundo em 1994 e 1998, que provavelmente montará pelos EUA em Lexington.

30 de agosto de 2010

Crescente ou estável?

Philippe Tomas ganhou a prova com uma estratégia "invertida"
Um dos assuntos mais discutidos neste blog é a estratégia de prova. Depois do campeonato mundial de young riders de Campo de Mayo escrevi um texto especulando possíveis causas de se encontrar uma estratégia dominante em cada país; em outro texto, depois do campeonato mundial da Malásia, apontei para o fato da nova campeã do mundo não ter corrido de forma crescente e me questionei se esta estratégia ainda era a mais adequada para a maioria das trilhas do esporte, cada vez mais planas.

Agora, em dois finais de semana vi mais indícios de que, pelo menos nas provas de 120kms, a famosa “estratégia crescente” pode estar com os dias contados. No primeiro, em Compiègne, pude acompanhar duas provas de 130kms. Na sexta-feira, os dois primeiros conjuntos correram de forma crescente e, apesar de se saírem vitoriosos, deram vexame e criaram uma situação constrangedora para todos: o cavalo 2º colocado chegou tão cansado que era incapaz de trotar, fazendo o último kilometro todo ao passo e demorando 29 minutos para entrar no vet-check final, já o vencedor por muito pouco não caiu de fadiga assim que cruzou a linha. No domingo, os três árabes que fizeram a prova de maneira crescente foram eliminados, sendo dois por metabólico. Philippe Tomas, com uma estratégia “estável”, ganhou a prova e deu show na chegada.


No segundo final de semana, mais duas provas de 120kms. Em Avaré, Toninho e Ana Ilkiu fizeram provas muito parecidas e sagraram-se campeões brasileiros, Adulto e Young Rider. Provavelmente numa competição com mais conjuntos eles teriam sido obrigados a andar mais no último anel, mas talvez, assim como para Philippe Tomas, manter o ritmo bastasse. Outra infeliz curiosidade é a de que Rafaela Barreto também cruzou a linha em 1º lugar com uma estratégia crescente e foi eliminada.


Com certeza 4 provas não são nem de perto suficientes para estabelecer o fim do domínio de uma estratégia, ainda mais se considerarmos que em 3 delas os cavalos que chegaram primeiro correram desta maneira. No entanto, nos faz questionar a certeza anterior de que esta estratégia era sempre a melhor e, principalmente, a mais segura. Pode ser só coincidência, pode ser reflexo de trilhas mais planas ou pode ser a constatação dos cavaleiros de que o único meio de aumentar a velocidade é fazer os primeiros anéis mais rápidos do que se fazia. Enquanto não temos nenhuma certeza, qualquer tentativa é válida, inclusive correr de modo crescente.

3 de maio de 2010

A volta do Troféu Coalheira

Coalheira: sf Peça de arreios que se coloca no pescoço dos animais de tiro e à qual se firmam os tirantes. (Michaelis). Traduzindo: peça que prende o burro à carroça.

Troféu Coalheira: prêmio dado ao autor do ato menos inteligente realizado durante os três dias da prova Multidays – tão ou mais valorizado do que o 1º lugar e Best Condition. Cheio de ironia, maldade e bom humor, simbolizava a única prova que o detinha, sendo a eleição (sim, a prova era democrática) de seu vencedor o ato final da premiação, talvez o momento máximo da competição. Durante os três dias de prova, além de se preocupar com sua posição, diferença acumulada pros adversários e estado do seu cavalo, os competidores tinham que tomar cuidado para não fazer nada digno do troféu e vigiar seus adversários esperando por um deslize destes. Ao término da distância de cada dia, comentava-se os possíveis candidatos ao Coalheira, além de tirar sarro dos que estavam atrás de você e ameaçar os que tinham alguma vantagem para o dia seguinte – tudo isso regado a cerveja.

Ao voltar para a casa percebia-se quanto a distância entre você e seu cavalo havia diminuído depois de três dias inteiros juntos, além de como os momentos dando risada com os amigos tinham sido prazerosos. O Multidays foi o símbolo de uma época em que o mais importante no enduro era o tempo que se passava com os amigos, sem se importar com qualificação FEI, regras para o Mundial, existência ou não da categoria Mirim-Peso-Pesado, ranking perene, etc. A boa notícia é que, mesmo com tudo isso, a prova voltará, depois de 9 anos de sua última edição. Como não se pode ignorar o cenário atual, haverá duas categorias: uma para aqueles que querem correr a prova “à moda antiga” – os três dias com um cavalo – e outra para aqueles que querem treinar ou qualificar seus cavalos – na qual será permitido usar diferentes cavalos nos diferentes dias.

Parabéns à toda organização da prova (Danilo, Vanda, Jorge, etc) e àqueles que a estão patrocinando, com certeza o enduro vai ganhar muito com a volta do Multidays!

15 de março de 2010

Em busca da verdade

Em todos os campos do conhecimento existe uma disputa entre teorias rivais tentando explicar a realidade e desenvolver um modo de enxergá-la. Nos esportes isto também se verifica, mas eliminar as teorias falsas torna-se especialmente difícil porque não há como fazer testes controlados e todo resultado provém de múltiplos fatores – vários deles incontroláveis e não-observáveis. No entanto, seja pelo desempenho daqueles que a adotam, seja pela força “comercial” que tem, uma ou duas teorias terminam dominando o esporte, fazendo com que todas as análises se dêem com base nela(s) e estabelecendo verdades que não são questionadas.

No enduro, porém, este processo encontra-se em fase embrionária. Quase qualquer coisa que se diga pode ser defendida ou atacada, seja com resultados de provas ou de modus operandi de alguém importante. A “prova crescente” francesa tem muitos defensores e é suportada por uma teoria elegante, no entanto não se verifica nos EAU nem no Uruguai; eletrólitos são vistos como fundamentais por alguns, e inúteis por outros; Barbara Lissarague, campeã mundial, trabalha seus cavalos no picadeiro, para que tudo seja mais fácil na trilha – faz sentindo – já Jack Begaud (que apesar de nunca ter sido campeão mundial é tão importante quanto um) defende que treinando na trilha o cavalo já aprende tudo que precisa – também faz sentido. Há cavaleiros que montam em suspensão, outros sentados de modo clássico e um terceiro grupo senta na sela, estriba o mais longo possível e coloca os pés o mais pra frente que pode – todos eles ganham provas importantes. As selas também variam do estilo Western às seletas inglesas – passando por todos os possíveis graus de combinação, selas de plástico, etc. O fator mais discutido parece ser o cavalo e, apesar de haver elementos geralmente aceitos (aprumos corretos, canela curta, quartela pequena, cascos redondos e bem alinhados, etc) não há um “cavalo ideal”: apesar da ampla busca por um cavalo de 1,57m, o atual campeão da President’s Cup e recordista de velocidade nos 160kms é só um dos exemplos de campeões baixos (Nobby, campeão mundial na Malásia, é outro).

Ao começar no esporte, um iniciante provavelmente não saberá o que fazer sem o conforto de um guia básico e seguro. Mesmo um iniciado ficará confuso ao avaliar se está fazendo as coisas de modo correto e ao tentar encontrar pontos onde possa melhorar. No entanto, podemos dizer que toda essa “pluralidade caótica” é positiva, pois significa que temos muita coisa a melhorar e estamos explorando diversos caminhos para chegarmos lá.

19 de janeiro de 2010

Um bom ano


Todo réveillon traz consigo a esperança de que o ano que nasce seja melhor que o ano que acaba. Mesmo que não tenhamos porque acreditar nisso sempre encontramos motivos para justificar nossa crença, o que, numa dose razoável, pode ser benéfico para nós. Analisando o calendário de 2010 encontro estas razões e acredito que o ano que se inicia pode ser muito proveitoso para os enduristas.

Ao todo temos 6 provas de longa distância, sendo a primeira em Março e a última em Dezembro (ambas em Brasília). A meu ver, este é um bom número mas poderia ser um pouco maior ou as provas distribuídas de outra maneira, de modo que aproveitássemos os meses de Junho e Setembro, que não são quentes e não tem nenhuma prova de longa distância marcada. Para isso o Campeonato Brasileiro de Cavalos Jovens poderia ser de 120kms, bem como a prova do Rach, que conta com um nome forte o suficiente para ter um bom número de inscrições.

Apesar destes dois meses sem provas de longa, o ano promete ser agitado: em Maio a décima edição FEI da Haras Endurance, com um carro de prêmio e promessa de grande festa; em Julho a prova de Mogi, que independente do nome (Paradise, Jequitibá ou Copa das Nações) já tem tradição e importância; e em Agosto o Campeonato Brasileiro, desta vez durante o inverno (a única insegurança diz respeito ao local escolhido, até então desconhecido, de modo que não sabemos exatamente o que esperar). Há, ainda, a prova do dia 30 de Outubro no Haras Jacovás – RS, que poderá contar com conjuntos argentinos e uruguaios – fato que traria atenção e importância para o evento.

Internacionalmente não há Panamericano nem Europeu, mas o Mundial. Trata-se de uma prova muito interessante, pois quase todos os cavalos terão que viajar para competir (e dessa vez estaremos lá) e os donos da casa já foram de longe os melhores do mundo no esporte, mas sumiram do cenário internacional.

9 de novembro de 2009

Sob a ótica do marketing


Há alguns textos atrás, dei minha opinião sobre a situação dos novatos no enduro. Para aqueles que trabalham com marketing estes seriam os clientes que consomem seu produto de vez em quando, naquelas situações esporádicas nas quais ele vai à loja ao lado de casa e se depara com a mercadoria lá. O objetivo do marketing para esses clientes é fidelizá-los, fazê-los passar a heavy-users e a desenvolver uma relação com sua marca. Como disse anteriormente, acredito que esta preocupação exista (não tão bem estruturada assim), de modo que a discussão deve se dar em relação à efetividade das estratégias de fidelização que estão sendo adotadas.

É nas etapas anteriores a esta, no entanto, que o enduro precisa desenvolver-se. Faltam ações para que enduristas em potencial (todos aqueles que reúnem as condições necessárias para fazer uma prova de 20kms) tomem conhecimento da existência do esporte, se interessem e decidam experimentar o enduro. Quando se tem um público relativamente grande e facilmente diferenciável (proprietários de cavalos de qualquer raça próximos ao local da prova a se realizar), um produto bom e barato (uma tarde montando a cavalo com a família) e um ambiente no qual é fácil promover um evento (como as cidades do interior), esforços para prospectar novos enduristas podem valer a pena.

19 de outubro de 2009

"No Tennis Shoes!"

“No Tennis Shoes!!!” era tudo que se ouvia do lado de fora do estádio de Lexington – Kentucky durante o pré-vet. Esta era a única preocupação dos stewards que organizavam a fila para a apresentação dos cavalos. Nenhum deles, no entanto, sabia exatamente o que caracterizava um tênis – o que alguns deixavam passar outros barravam (aparentemente a cor era o principal fator de avaliação).

A explicação para tamanho desespero é a última preocupação da FEI: deixar o enduro mais apresentável. É uma pretensão que faz sentido quando se pensa no crescimento, transmissão, acompanhamento pelo público e sonho olímpico do esporte, afinal tudo isto fica muito mais fácil e eficiente se a imagem dos esportistas for elegante e padronizada. Não faz sentido, no entanto, quando se pensa na atual cultura “pé na lama” do enduro, que não deixa de ser original e natural.

Nesta luta entre desenvolvimento do esporte e manutenção de seu espírito original, normalmente o lado do crescimento e da comercialização leva a melhor. Isto não é necessariamente ruim, por mais difícil que seja mudar nossa cultura (e talvez um dia termos que escolher roupas para montar de acordo com um padrão e não com o nosso gosto / conforto), desde que estes objetivos “maiores” sejam atingidos.

15 de setembro de 2009

"É a hora doooo Top5"

Ranking é como bikini: mostra tudo, menos aquilo que você quer ver. Em última instância, nenhuma medida consegue responder satisfatoriamente e ao mesmo tempo às seguintes (e muitas outras) perguntas: como ponderar resultados de diferentes distâncias? O número de concorrentes deve influenciar a pontuação? Campeonatos nacionais devem ser mais valorizados? Eliminações devem diminuir a pontuação de um cavalo ou serem simplesmente ignoradas? Como a pontuação diminui em relação à posição alcançada? Em pontuações de garanhões, a performance destes deve contar ou apenas a de seus filhos? Os resultados de netos e bisnetos devem aumentar a pontuação de um garanhão (ou apenas os resultados de seus filhos devem ser considerados)?

Apesar de todas estes questionamentos pertinentes a qualquer
Ranking, estas medidas tem um grande mérito: resumem milhares de informações em uma só: qual é o melhor cavalo dados determinados critérios. Esta visão simples e direta fornecida por um Ranking é importante para que se discuta, conheça e aprenda sobre as linhagens de nossos cavalos (sempre lembrando as restrições das premissas adotadas). Deste modo, a iniciativa da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA) de calcular o Ranking com todas as provas do Brasil é louvável e seus idealizadores (Ricardo Saliba e Salim Lahud) devem ser parabenizados por toda a comunidade do enduro nacional.

O passo seguinte deve ser o cálculo de outros Rankings, por outras instituições e usando critérios e premissas diferentes. Assim, será possível comparar resultados e, ao entender suas diferenças, compreender melhor as características de cada cavalo e linhagem.

25 de agosto de 2009

Les vraies sportifs

Largada de um campeonato mundial. Cavalos e cavaleiros nervosos. É cada um por si, cada cavaleiro procurando o local onde seu cavalo fica mais confortável. Os demais só atrapalham. De repente, alguém cai e o cavalo segue com os outros, sem o cavaleiro.

Foi isso que aconteceu comigo em Compiègne, e eu imaginei que minha prova tinha acabado, além de temer seriamente pela saúde do meu cavalo. Um cavaleiro no chão é um incapaz: é menor e mais lento do que o cavalo, que nunca vai respeitar qualquer ordem do tipo “Volte Aqui!”.

Felizmente, todos os meus concorrentes, sem exceção, pararam e colocaram ao passo até que eu chegasse a meu cavalo e montasse de novo. Foi a verdadeira atitude de espírito esportivo, daquelas que fazem do enduro um esporte especial e diferente dos demais. Muito obrigado a todos os cavaleiros da prova de 8 anos de Compiègne!

17 de maio de 2009

The self made country

Após a derrota por 1x0 para o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1994, alguém (não me lembro exatamente quem) ligado à seleção dos EUA afirmou (não exatamente nessas palavras): “Em 10 anos os EUA jogarão de igual pra igual com qualquer time do mundo. Os americanos querem ser os melhores no futebol, e eles sempre conseguem o que querem”.
No enduro, apesar da situação ser diferente (eles foram os melhores, vencendo todos os 7 mundiais de 1986 até 1998),  o discurso (pelo menos aquele com o qual eu tive contato) foi, por muito tempo, similar: “os EUA têm X provas por ano, cada uma com Y participantes e por isso não precisa do resto do mundo ou da FEI. Nada que aconteça fora do país importa”.
Assim como acreditar que nada pode te parar talvez te leve à derrota, acreditar que você é o melhor e que todo o resto não deve ser levado em consideração pode fazer com que você fique para trás. Foi o que aconteceu com os EUA, que perderam completamente o respeito que tinham no cenário internacional, apresentam resultados pífios em competições fora dos EUA há muito tempo e hoje nem são vistos como ameaça pelos demais países.
Tudo isto está prestes a mudar. É o que garantem os americanos. Com a realização do mundial no Kentucky em 2010, Becky Hart (3 vezes campeã do mundo – com o mesmo cavalo) como técnica, Valerie Kanavy viajando o mundo para aprender como se corre hoje em dia e todos humildemente assumindo que terão de mudar algumas coisas, a esperança dos ex-melhores é voltarem a sagrarem-se campeões mundiais.
Acredito que esta mudança de atitude já seja suficiente para que o mundo volte a olhá-los com outros olhos, no entanto na trilha ainda se vê um time pouco competitivo. Tanto no try-out da Malásia quanto no Panamericano do Uruguai (últimas duas vezes que eu os vi correr) os cavaleiros americanos abdicaram da vitória e correram para completar a prova. Ao não se testarem, com certeza voltaram para casa com cavalos mais sãos e mais treinados, no entanto perderam duas oportunidades quase únicas de aprendizado.
E você, acredita na ressurreição americana? Comentem!

PS: não estou discutindo a filosofia "to finish is to win" ou "faço enduro para me divertir e não para colocar meu cavalo em risco", apenas o quanto se consegue ser competitivo ao se fechar.

10 de maio de 2009

Fooled by randomness

Achei muito curioso o questionamento do Carlos Valença a respeito do resultado do Panamericano do Uruguai. Curioso porque ao comparar os acontecimentos com a final da Copa do Mundo de 1998, tornou-se clara toda a arrogância natural a qualquer ser humano.

É difícil aceitar que o desenrolar dos acontecimentos não é aquele que esperávamos. É difícil admitir que toda a análise que se fez antes do evento estava errada (ou excessivamente pretensiosa). E, mais difícil ainda, é reconhecer que as coisas não são previsíveis e previamente determinadas pelas condições iniciais. Assim, quando o resultado é diferente do esperado, todos correm a criar teorias para trazer o inesperado de volta ao campo dos fatos explicáveis. Esta busca por respostas não é necessariamente ruim, na verdade é muito boa e extremamente importante na medida em que essas teorias podem nos ajudar a, de fato, compreender o que aconteceu e a desenvolver nosso conhecimento a respeito do assunto. No entanto, quando essas teorias não são testáveis (como a maioria das que surge nesses momentos) terminam por criar verdades absolutas e impedir que se avance nas questões e que se evite os mesmos erros no futuro.

Segundo esta lógica de que “tudo tem uma razão”, se o jogador erra um pênalti na final é porque ele amarelou; se marca um gol nos acréscimos é porque cresce nas decisões; se o cavalo tem flutter é porque o cavaleiro passou seu nervosismo para ele; e se o Brasil leva o que tem de melhor pro Uruguai e volta sem nenhuma medalha é porque alguma coisa obscura aconteceu. Dado que não temos como saber se essas teorias são verdadeiras ou não, o melhor a fazer é ignorá-las, já que não nos ajudarão a evoluir como esportistas. O caminho é se concentrar naquilo que pode aumentar nosso conhecimento, admitir que não sabemos tudo e aceitar que há muita coisa para as quais nunca teremos a explicação completa, incluindo aí o acaso.

Quanto à prova posso dizer que me orgulho de ter feito parte de um grupo de mais de 50 pessoas completamente diferentes que, mesmo num ambiente extremamente competitivo, não tiveram nenhum problema de relacionamento (com grande ajuda do Olavo, Henrique e Guilherme – há que se ressaltar) e que se o resultado não foi positivo como esperávamos, não foi por problemas obscuros ou de ordem pessoal, mas sim porque tentamos vencer e não conseguimos.
Que cometemos erros é óbvio (assim como o fizemos em provas nas quais saímos vitoriosos, como Bahrain, Pinamar e Campinas) e da minha parte posso destacar ter deixado de me questionar se não havia como ser campeão sem estar na ponta todo o tempo. Ainda assim, prefiro cometer este erro e aprender do que não tentar ganhar, terminar a prova sem nunca ter tido chance a nada e continuar estático, com o mesmo conhecimento e visão que tinha antes da largada.

2 de março de 2009

Sobre o tratamento dado aos novatos

É engraçado como algumas alegações ganham status de verdade sem nunca terem sido testadas ou se quer discutidas. No enduro há alguns exemplos, mas o mais infundado, ao meu ver, é o de que “o novato é deixado de lado” e que isso levaria a um esporte “com a pirâmide invertida” (com mais praticantes de alto nível do que de nível médio ou baixo) condenando-o à diminuição e, quem sabe, à extinção.

Em relação à pirâmide de usuários, não me parece o caso, dado que normalmente as provas menores têm mais inscrições e com gente mais diversificada - na longa distância são sempre as mesmas pessoas em todas as provas. De qualquer maneira, uma análise mais aprofundada seria muito interessante.

No entanto, é a causa desta “inversão piramidal” – a negligência com novatos – que é o ponto mais fraco da linha de raciocínio. A importância que se dá aos iniciantes não é baixa, nem na teoria, nem na prática. No aspecto teórico basta observar as reuniões dos dirigentes do esporte: sempre há discussões acaloradas sobre como melhor atender aqueles que estão começando ou que praticam enduro apenas por diversão. Me parece ser o assunto mais discutido entre aqueles que tomam decisões, com revisões todas as temporadas, estatísticas de inscrições, etc. Esta preocupação transcende a teoria e se manifesta na prática: as provas com até 80kms são aquelas que contam com o maior número de categorias. Assim, o novato que desejar fazer prova de placas terá uma categoria para si (outra para o filho e uma terceira para a mulher), bem como aquele que prefere o regulamento de batimentos ou o terceiro, que quer fazer velocidade livre.

Se há descontentamento destes (e eu não tenho certeza que haja), se dá por um, ou por uma mistura, dos seguintes motivos: (I) os dirigentes, apesar de bem intencionados, não estão sabendo ouvir os principiantes; (II) os novatos, por se envolverem pouco, estão longe das discussões sobre calendário, regulamentos, preço de inscrição, taxas, etc e terminam vendo as decisões como imposições descabidas, uma vez que não existe um canal de comunicação entre a classe dirigente e aqueles que praticam o esporte de uma maneira menos intensa. Em qualquer um dos casos, o problema não é falta de interesse pelo fomento.

14 de fevereiro de 2009

Um aspecto negligenciado

Quando a comissão veterinária da CBH criou regras para a classificação (e desclassificação) de cavalos e cavaleiros, pensei que tivessem resolvendo um problema que não existia (especialmente no Brasil). Recentemente, depois da publicação pela FEI, percebi que o impacto do regulamento – que com a força da FEI provavelmente terá que ser, de algum modo, seguido – é muito mais profundo. A FEI não está apenas resolvendo um problema que não existe, ela está criando um problema em potencial.

Ao estabelecer de modo objetivo o que um cavalo pode e não pode fazer – independente da sensatez ou inteligência das regras – a FEI tira a responsabilidade de cavaleiros, treinadores e veterinários. Se antes estes tinham de se preocupar em estar fazendo a coisa certa, agora podem fechar os olhos e seguir o caminho sugerido pelo órgão máximo do esporte. Se antes todos se perguntavam “Quem é o irresponsável que fez isto?” ao se depararem com algo maléfico para o animal, a pergunta agora será “Este cavalo estava classificado pelas novas regras?”

Por mais que pareça natural, e até mesmo óbvio, questionar um planejamento de carreira feito por alguém que nunca viu seu cavalo, não sabe como você monta, no que você acredita e – agora o maior absurdo das novas regras – provavelmente não faz idéia de como uma prova no Brasil é diferente de uma européia ou árabe, será difícil desafiar o padrão estabelecido e fazer uma 3ª prova de 60kms ao invés de uma de 80kms (ou uma de 38kms que “não serve mais pra nada” ao invés de uma de 58kms).

É claro que a FEI acredita que impor limites aos cavaleiros não pode aumentar o risco a que estes submetem seus cavalos, no entanto nenhum legislador pode se esquivar dos efeitos colaterais e adaptações que surgem a suas normas.

27 de novembro de 2008

O esporte mudou?

Alguns processos levam tempo, vão acontecendo aos poucos sem quase ninguém perceber e de repente já fazem parte do nosso dia-a-dia. Nesse momento acontece alguma coisa que simboliza este novo cenário e todos, a partir de então, lembram-se: “Desde aquele fato as coisas mudaram...”
O Mundial da Malásia pode ser um desses marcos. Maria Ponton fez a prova inteira na frente, variando o ritmo o tempo todo (20, 18, 19, 16, 18, 17 e 21 foram suas médias por anel) e sagrou-se campeã do mundo. Mais do que investir numa estratégia diferente do padrão europeu (até então vencedor absoluto em mundiais), Maria virou as costas para uma “pressão social” (européia) que rotulava de “sem cabeça”, “despreparado” e “tolo que não entende o esporte e o ritmo do cavalo” aqueles que não faziam os primeiros anéis devagar para (tentar) recuperar nos últimos.

Será que ela fez isso porque monta nos Emirados, onde todas as provas são ganhas assim? Ou por influência dos treinadores uruguaios que tem na equipe? Será que essa estratégia sempre foi potencialmente vencedora ou só em determinados locais é vantajosa? Se a prova tivesse 6 anéis com descansos mais curtos e uma última etapa mais longa, a história seria a mesma? Nas velocidades nas quais são corridas as provas hoje em dia, é mesmo vantagem ter um cavalo inteiro e 15 minutos (ou mais) de desvantagem no último anel?

Enfim, o esporte mudou ou só se constatou que em condições diferentes das européias nem sempre a estratégia crescente é indiscutivelmente a melhor?

Em qualquer um dos casos, nós, brasileiros, podemos parar de nos culpar por nunca ter conseguido ser tão estrategicamente disciplinados e conscientes como franceses, espanhóis, italianos, etc.

1 de setembro de 2008

Quase

Às vezes a gente quase ganha. E assim foi Compiègne pra mim. No primeiro anel cheguei em 11º e fui o primeiro a entrar no vet. No segundo anel, fui o sétimo a chegar e o primeiro a entrar. No terceiro anel a história se repetiu: cheguei no bolo da frente e entrei em primeiro lugar no vet-check. Largaria em primeiro para o último anel, com o cavalo inteiro e cheio vontade de andar, mas aí ele mancou.

Mancou, aparentemente, graças a um corte relativamente profundo no bulbo da mão esquerda, resultado da alta velocidade e curvas rápidas no barro no qual virou a trilha depois de tantas horas de chuva. Na verdade, pouco importa o motivo da eliminação. O que importa é a mensagem que ficou depois do balde de água gelada que te leva de “Campeão do Mundo” a “Nada” (ou pior, a “Quase-Alguma-Coisa”): O Brasil tem tudo pra ganhar de qualquer um, só precisa tentar.

7 de julho de 2008

Estatísticas do primeiro semestre

Assim como foi feito no começo do ano em relação a 2007, atualizo aqui as estatísticas das 5 provas de longa distância realizadas no primeiro semestre deste ano.

Número de inscrições:

Este primeiro semestre foi impressionantemente pobre em inscrições. Ao todo, foram 85, distribuídas em 13 provas e 5 eventos (lembrando: cada categoria conta como uma prova, e todas juntas como um evento). Ou seja, em média cada prova (leia-se categoria) contou com apenas 6,5 inscritos. É a pior média desde que se acompanha este número (até então 2005 com 9,5 era o pior ano e 2002 com 16,3 o melhor). Como este foi o período com mais provas por evento, graças às 3 provas de 160kms, a média de inscrições por evento não é tão ruim: 17,0 – o que ainda é o pior período, atrás de 2000 com 19,6. O melhor foi 2002 com 36,8.

Se considerarmos que o Campeonato Brasileiro e a Haras Endurance, que normalmente são as provas com mais inscritos no ano, já aconteceram, as perspectivas não são boas. No entanto, acredito que o Jequitibá Open e o Campeonato Paulista contarão com inscrições suficientes para aumentar esta média.

Velocidade:

Em relação à velocidade o semestre apresenta duas perspectivas diferentes. Nos 120kms o semestre foi fraco: a prova mais rápida foi ganha a 17,34kms/h, velocidade que não foi alcançada apenas em 2002, 2001 e 2000. A média de velocidade nesta distância foi de apenas 14,72kms/h, índice superior apenas ao de 2000. Já nas provas de 160kms, a mais rápida foi ganha a 16,84kms/h, perdendo apenas para 2006, que contou com a atípica prova de Campinas. Na média de velocidade, fez-se 15,92kms/h, o que condiz com as velocidades de 2007 e 2006.

Preço de inscrições:

Neste quesito houve uma sensível diminuição de preço médio neste semestre. A média caiu de R$ 591,58 (2007) para R$ 541,15 (1º semestre 2008), aproximadamente 9% menos em termos nominais, que seria majorado caso corrigíssemos o preço do ano passado pela inflação.

Pedigree:

Neste semestre, graças ao baixo número de inscrições, diminuí o número mínimo de inscrições para que uma prova valesse pontos, de 10 para 5. Assim, o ranking de garanhões, que pontua as 5 gerações de cada cavalo, ficou deste modo (contando apenas as 5 provas deste ano):

1º - Bask

2º - Aladdinn

3º - Witraz

4º - Morafic

5º - Persik

O ranking de pais (no qual pontuam apenas os pais dos cavalos) ficou da seguinte maneira:

1º - Persik

2º - Aicyng Ahra

3º - Pepi

4º - Expoente

5º - Ninjah El Jamaal

É interessante destacar a presença de Persik nos dois rankings, por se tratar de um cavalo estrangeiro com pouquíssimos filhos no Brasil. Não que seja surpresa, dada sua importância e reconhecida qualidade no esporte.

24 de junho de 2008

Só uma idéia

29/03/08 – Rancho Canabrava – 120kms:
Adulto – 5 conjuntos
Young Riders – 2 conjuntos

05/04/08 – Paraopeba – 120kms:
Adulto – 3 conjuntos
Young Riders – 2 conjuntos

19/04/08 – Haras Endurance – 120kms:
Adulto – 7 conjuntos
Young Riders – 7 conjuntos

07/06/08 – Campeonato Brasileiro – 120kms:
Adulto – 9 conjuntos
Young Riders – 10 conjuntos

Eu não sei qual o motivo deste baixo número de inscrições este ano, talvez no Brasileiro e no Haras Endurance tenha um pouco a ver com a prova de 160kms que ocorreu junto com a de 120kms. Mas, de qualquer maneira, não seria melhor ter tido provas com categoria única, com 7, 5, 14 e 19 concorrentes, respectivamente?

Acredito que todos os conjuntos se beneficiariam de correr contra mais concorrentes, tanto como forma de aprendizado quanto como participação em uma prova mais importante e competitiva. Afinal, isto é a essência de um esporte.

Numa prova de categoria única – e, portanto, com mais concorrentes – a vitória e cada posição valorizam-se, dando um outro status à prova e aos seus competidores. Além disso, ganha-se experiência fundamental para correr mundiais e outras provas internacionais nas quais largam mais de 100 competidores juntos.

Se nossas provas contassem com apenas uma categoria, nosso esporte ganharia muito. O maior exemplo disso era o Jequitibá Open quando não tinha uma prova de Young Riders um dia antes da prova de categoria única: na época era a mais competitiva e uma das mais esperadas do calendário. Suas chegadas, inclusive, ilustraram o quanto o esporte ganhava com este tipo de prova: num ano chegaram disputando Thayza Malouf e Mariana Cesarino; no outro Leco Razuck e Patricia Taliberti; e no último Lilian Garrubo e Ana Carla Maciel – todas disputas entre um adulto e um Young Rider que numa prova “normal” chegariam tranquilamente ao passo.